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16/08/17

Pessoal: Como (Não) Vender!


Saudações Unicórnios!

Recentemente, fui numa excursão ao Gerês, sim, uma daquelas excursões patrocinadas por empresas que querem sacar dinheiro da carteira dos idosos reformados (da qual não vou mencionar o nome por razões óbvias).

A excursão foi divertida, o local é maravilhoso, mas se fosse para falar disso não teria começado a escrever este post. Quero falar sobre o resto, aquele resto desagradável, a grande verdade por detrás destas pequenas excursões: a publicidade altamente agressiva.

É verdade que podemos viajar por um bom preço, mas chega sempre aquela parte em que temos de nos sentar e ouvir, durante três horas, sobre como o produto X e o produto Y são fantásticos e que temos de os comprar. Isso nem era um grande problema para mim, eu sabia o que me esperava, acho justo que a empresa queira vender e queira publicitar após ter dado um desconto daqueles, mas a partir do momento em que eu vi a maneira agressiva com que eles impingiam os produtos às pessoas decidi que este tipo de coisa não era para mim. Já que eu nem sequer era o público alvo da venda, nem sei porque tive de ouvir aquilo durante horas.

Primeiro começa aquela conversa que nem anda nem desanda para distrair as pessoas, depois vem a parte que interessa, os argumentos, o que o produto faz, porque é que o produto é útil. Mas se, mesmo assim, não vende começa a agressividade. Começam a fazer um efeito bola de neve que faz lembrar aqueles posts do Facebook que se a pessoa não compartilhar dentro de dez segundos "terá dez anos de azar". É algo do tipo:
– O seu neto vai morrer num acidente de carro porque se vai despistar ao atropelar a sua cunhada sem querer enquanto esta foge de um ladrão que a estava a ameaçar com uma faca, e você vai precisar destas vitaminas, porque tem coisinhas que evitam a depressão, e você precisa de estar preparado para lidar com desgraças porque hoje em dia só acontecem desgraças, já viu aqueles incêndios em que as pessoas morrem, e aquilo passa na televisão, uma desgraça. Mas bem, se você não conseguir lidar com isso, o que vai acontecer? Vai ficar deprimido, ou a sua neta vai ficar deprimida, porque também já tem a universidade, e o que acontece depois? Suicídio, você não quer isso pois não? Estas vitaminas ajudam! Os quatro primeiros interessados levam as vitaminas para casa com um massajador de oferta!
Se mesmo assim a pessoa não for na conversa eles passam para outro nível, a chantagem emocional, onde explicam como o emprego deles funciona, como precisam que os ajudem e que comprem alguma coisa porque, por cada produto, apenas recebem um tanto de comissão e ainda relembram que têm uma família para alimentar. Já só falta dizerem que têm a mãe doente no hospital e que ela precisa de uma operação caríssima. É, também, aqui, que as chances de eu comprar o que quer que seja que eles estejam a vender são reduzidas a zero. É feio e desnecessário fazer as pessoas sentirem-se culpadas por não comprar, eu sei que eles têm de vender o pão deles, mas aproveitarem-se do facto de que os idosos são altamente influenciáveis é, na minha opinião, um truque baixo.

(Vendedores, eu já sei como o vosso emprego funciona, se eu não soubesse e quisesse saber ia pesquisar, não tenho nada a ver com os vossos problemas, a mim também ninguém me ajuda, e se eu quisesse ajudar, não estava aqui, estava a fazer caridade.)

Quando, mesmo assim, a pessoa não fica interessada, eles mudam completamente de postura, começam a ficar, literalmente, agressivos, e, por vezes, faltam ao respeito das pessoas. Não esperam que as pessoas pensem, não lhes convém, quando as pessoas querem pensar eles insistem de uma maneira abusiva. Por outro lado, se as pessoas comprarem sem pensar, fazem uma festa e são logo amigos do mundo, mas o mais provável é que a pessoa se arrependa de gastar mais de mil euros ao ir numa excursão que custou cinquenta, porque quando vai a ver, podia ter gasto aquilo tudo numa viagem mais longa e num hotel melhor sem todo aquele transtorno, mas pronto, cada um gasta o dinheiro como quer.

Mas só para exemplificar, eu lembro-me de acontecer algo assim a uma senhora ao meu lado, que estava indecisa em relação a comprar ou não um dos produtos que estavam a ser vendidos:
– A senhora quer uma almofada?
– Não sei...
– Compre lá, é só X euros!
– Eu depois já decido.
– Vá, leve lá!
– Eu já vou ter consigo, eu já decido.
– OLHE QUE JÁ ME ESTÁ A DOER O BRAÇO!
Eu não sei ao certo como a conversa se desenrolou, mas lembro-me perfeitamente de ouvir esta última frase. "Olhe que já me está a doer o braço!" não me parece ser a melhor coisa a dizer a um cliente, mas eu não estudo técnicas de venda para saber como se deve agir, em vez disso tenho senso comum, mas, se calhar, em algumas empresas, isso não é um requisito quando se contrata alguém para vender.

Também me disseram, acho que durante a demonstração, que a publicidade mais efetiva é aquela que se faz de boca para boca, mas ninguém disse que essa publicidade é sempre boa. A pessoa também pode sair sem comprar nada e falar sobre como a venda da empresa X é agressiva e sobre como os vendedores tratam as pessoas, depois vejam se as excursões vão cheias.

Apenas achei que deveria deixar a minha opinião, se algum vendedor está a ler este post, não faça estas coisas, seja em excursões, seja por telefone, seja de porta em porta, falo como consumidora, obrigada.

P.S.: Já agora, eu meti fotos da excursão no meu Instagram, podem ir lá ver se quiserem! As paisagens eram muito bonitas!

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